sábado, 15 de maio de 2010

Complementando A Fórmula do Amor

"Não terei tempo de procurar na rede o nome do culpado pela divisão das disciplinas de educação em três vertentes, mas de alguma forma o conhecimento formal ficou dividido em ciências biológicas, ciências exatas e ciências humanas. Acho lindo que tudo seja tratado de forma cientifica e organizada mas temo que esta tripartição não tenha sido um bom negócio, especialmente hoje, vendo que duas pernas se desenvolveram e uma ficou atrofiada. O homem passeia em Marte com seu robô e envia imagens ao vivo, com exatidão tecnológica surpreendente. Aqui na Terra, clona-se seres vivos e as esperanças de cura se renovam com o desenvolvimento de pesquisas com células-tronco. O tripé do conhecimento desenvolveu pernas longas e bem torneadas para as exatas e biológicas. Infelizmente, com o crescimento das outras duas, a terceira perninha, as ciências humanas, que incluem coisas como a filosofia e a ética, ficou ali, atrofiada e penduradinha como um bilauzinho no inverno polar. E isso, tem tudo a ver com a crise humana do mundo atual.

Estamos todos mais grotestos, mais rudes, mais estúpidos. Somos bem informados mas nos tornamos ignorantes. Temos automóveis com GPS mas dirigimos como trogloditas neuróticos. Viajamos pelo mundo inteiro mas temos preguiça de procurar o baldinho de lixo para jogar o papelzinho da bala. A falta de finesse é geral. Isso tudo, se não for coisa do demo, se não for a prova definitiva de que o projeto ‘ser humano’ não deu certo, só pode ser atribuído à falta de atenção que demos às ciências humanas, justamente aquelas mais sutis, que não dependem de equações, que não se baseiam nas medições matemáticas e não podem ser testadas em laboratório.

O vórtice vicioso que nos suga ralo abaixo passa por todas as estatísticas de descaso com as disciplinas que podem desenvolver o refinamento das pessoas. Não existem empregos para filósofos, sociólogos, pedagogos, historiadores, cientistas sociais. E, por não ter mercado, os estudantes não optam por estas matérias na hora de fazer o vestibular. Como a procura é pouca, há poucos cursos e etc. e tal.
O que fazer? Bem, esta é uma resposta para as ciências humanas também. Quem tiver sobrevivido na área terá que formular as soluções para esta crise de humanidade que vivemos hoje. Não sei onde o flower power murchou, onde o amor livre foi preso ou como a vida em fazendas cooperativas se transformou nesse mar de prédios de escritórios neuróticos baseados na competição. Só sei que temos que voltar até a bifurcação onde tomamos a trilha errada. Nesta trilha, ansiedade e depressão nos matam, o estresse e a má alimentação engordam, a ira destrói toda nossa capacidade de sentir e amar.
Eu, lentamente, comecei a voltar. E adoraria contar com todas as pessoas de bem, os irmãos de fé, os companheiros de jornada, os camaradas de ideologia, os humanos de coração, para um grande encontro de volta naquele velho ponto da bifurcação. Onde um dia, alguém colocou uma flor no cano de uma carabina.

Humanos, uni-vos."

Crônica da Rosana.

13 comentários:

Cris disse...

Amei o texto.Arquitetura fica entre humanas e exatas e porisso é uma profissão , se quisermos, de cunho social(licença da sardinha pro meu lado).

Beijo, queridão. Dia 05 estarei na Casa Cor . E vocês???

Paulo Roberto Figueiredo Braccini - Bratz disse...

Mais que perfeito ... já aderi ao movimento faz tempo, sem muito sucesso é fato mas ainda acredito ... ainda tenho como sonho maior a transformação deste "BILAUSINHO" em uma imensa e saborosa "NECA" [perdão pela irreverência mas adorei a imagem que a Rosana criou] ...

bjux

;-)

Robson Schneider disse...

Texto perfeito... Penso que se exercitamos a idéia e a verdade de que de fato não estamos sozinhos nisso, pois é esse o sentimento que bate as vezes, ganhamos força pra continuar sendo...
Abraço e ótimo final de semana Edu

Wanderley Elian Lima disse...

Oi Edu
Tenho 3 cursos da área de humanas e dentro das minhas possibilidades tento resgatar o humano das pessoas que convivem comigo. A mudança só vai acontecer, quando cada um mudar, tomar consciência de que estamos indo para um buraco sem fundo e procurar ser-humano.
Bjux

O+* disse...

O problema de textos assim é que eu tenho vontade de entrar na discussão conceitual e discordar e apontar as imprecisões e...mas hj to com preguiça e com mta saudade de vcs para me prender a textos...hauhauhauha
Eduzinho, será que agora só vou comentar aos sábados??????

bjomeescreve

Jens disse...

Baita texto, Edu. A Rosana pensa bem.
A propósito, vamos fazer de conta que tem um canto da estrada chamado estaca zero, onde a gente pode dizer o rumo que quer tomar. Como canta Ednardo, em Estaca Zero (eu e minhas citações musicais... Sorry).

Arsênico disse...

Eu acredito que muitos pensam igualmente a você... mas também muitos sentem-se incapazes de progredir sozinhos... e acabam deixando pra lá por ver que os outros só estão preocupados em chegar a frente!!!

Não sei e tenho medo de saber até que ponto essa atrofia pode prejudicar a convivência humana!!!

***

xI

Visão disse...

Muito eu ouço falar, mas pouco vejo ser feito. Acredito que todos sabem da necessidade de mudar, mas quantos querem realmente fazer? Às vezes eu apenas perco a fé no sres humanos... É ai que vem pessoas como vc, Rosana e entre outros me mostrar que ainda resta uma esperança.
bjs, Edu

AD disse...

É como o texto diz, sempre a ideia de trabalhar o conjunto, o equilíbrio do sistema, das engrenagens.

E sinceramente desacredito num movimento coletivo de equilíbrio. O problema e solução está no individual. As pessoas devem procurar isso no seu íntimo.

Lobo disse...

Eu discordo um pouco da forma como a coisa foi abordada.

As ciências não são tão segregadas assim. O estudo da biologia não agrega apenas o ensino da vida. Também ensina todos os apectos que envolvem a vida, como relações, ética, respeito para com as cobaias e para com pacientes... que digam os biólogos, os médicos, biomédicos, enfermeiros...

Problema é que assim como nem nas próprias ciências humanas são formados 100% conscientes de seu papel social, não são todos que se formas nas outras áreas com esta consciência também. Não é uma coisa área específica, é uma coisa mais generalizada. Também não acho que seja uma coisa que se desenvolva tão tardiamente na vida de alguém... o cultivo da ignorância vem desde a infância. Ai que entram os professores mal remunerados e desestimulados na equação.

Mas isso é uma outra história...

Well Bernard disse...

Eu faço Geografia. [/passando o lencinho nos olhos]

O+* disse...

Lobo rulez

Rafa disse...

Aposto que quem escreveu o texto não é da área de humanas. Pra mudar o que se comentou nele, não se tem necessidade de uma formação técnica, mesmo na área de humanas, se precisa de sensibilidade, o que nenhum curso de graduação dá por si mesmo. Bj!

Quem são vocês

Quem somos nós

Quem somos nós