Caio Túlio Mendes, medidor de almondêgas da Sadia, morreu este fim de semana atropelado por um carro alegórico. Durante os últimos festejos carnavalescos de Sábado, seu corpo foi destroçado e a cabeça esmagada pelo eixo dianteiro esquerdo do segundo carro, sobre a descoberta do átomo, da Escola de Samba União da Roça. Testemunhas dizem que a vítima ficou bobeando ali por alguns minutos e o carro alegórico, sem freios ABS, não teve como desviar.
A morte foi patética e arruinou o carnaval de rua de Divinópolis. Bianca Bruna, loira furacão de sensualidade vulgar e feminilidade duvidosa, caiu do carro alegórico devido aos solavancos do atropelamento e ameaçou processar o cadáver.
Após o acidente, parentes lembraram que Caio Túlio era muito distraído. Segundo relatos, foi flagrado inúmeras vezes divagando (a expressão usada foi “viajando na maionese”, mas como soa clichê, eliminamos de nosso relatório) durante atividades cotidianas. Sempre se perdia em algum detalhe inútil e começava a divagar. No meio da rua, no meio do banho, no meio do quarto, no meio do quintal, no meio da trepada, no meio do trânsito, etc.
Jairo Fúlvio Mendes, primo, disse que a família esperava a morte de Caio Túlio desta maneira mesmo. E no velório ninguém se mostrou muito chocado. Aliás, alguns até se esqueceram de Caio Túlio. Seu irmão, Mário Júlio Mendes, foi para casa sem assinar as burocracias necessárias ao enterro e quando solicitado, mostrou-se abismado com a tétrica notícia. Minutos depois, recordou-se: “ah é verdade… eu já sabia que meu irmão faleceu recentemente… que fiquei pensando no Palmeiras”. Enfim, o diagnóstico decreta sem dó: Família Dispersiva.
Para o ano vindouro, existe promessa dum desfile em homenagem a Caio Túlio. Mas como todos se perdem em detalhes naquela casa, não lembrarão do falecido e o desfile será sobre a invenção do Crepe Suzette. Isto ocorrerá no dia errado do Carnaval. Também vão esquecer as fantasias e o dinheiro da cerveja em casa porque ficarão pensando num nome para a escola de samba. Apocalípticos da Vila Gabão. Que nome mais idiota.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Quem são vocês
Quem somos nós
Quem sou eu
Quem fui eu
-
▼
2010
(340)
-
▼
fevereiro
(18)
- Velhice
- Pannis et circensis
- Sweet dreams are made of this
- Dose dupla
- Recado pra você
- Educação Sexual by Dr. Pampublikong - serviço de u...
- A iniciação do Waldomiro - E! True Holywood Story
- Se7e
- Pooh 2005
- 42 - Extra, extra!
- Zé Pequeno é o caralho (e não o meu!)
- Entrevista com o Monge Balalaika Edulama
- Obituário
- Mais uma das antigas
- O medo
- Pesquisa
- Ói nóis aqui traveiz
- Tora! Tora! Tora!
-
▼
fevereiro
(18)
8 comentários:
Mêu, comecei a ler o texto com ar de velório mas depois de constatar que o cara se perdia no meio da trepada não deu mais.
Hahsiuahsiu
Os Caios supostamente deveriam ser mais descoladões. rá.
Um bocadinho de gozo sádico não fica mal no meio do Carnaval...
Beijão.
Nossa Edu , eu ia fazer um comentário sobre o texto mas esqueci o que ia dizer. Desculpe.
Abração
Caracolis ... nesta terça feira de carnaval, com este calor do inferno que faz aqui em BH, curtindo uma ressaca básica, este post me tirou por inteiro de minha dispersibilidade ... kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk ... se perder no meio da trepada é o máximo ... kkkkkkkkkkkk
e tinha que ser de Divinópolis??? kkkkk
bjux
;-)
Não sei por que, lembrei de Jorge Amado. Será que vivo em Divinópolis?
Onde sou? Quem estou? Du?
Não estou entendendo nadica!!!
Nem é idiota o nome Apocalípticos da Vila Gabão. E depois tem gente que diz que não gosta de carnaval...
e serão todos felizes por mais um ano por nunca lembrarem seus dias infelizes
Postar um comentário