quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Entrevista com o Monge Balalaika Edulama

- Mestre, qual o sentido da vida?
- Adiante.
- Mas de onde viemos e para onde vamos?
- Do ontem para o amanhã.
- Mestre, por que vivemos?
- Para morrer.
- E morremos...?
- ...Para que outros vivam.
- Eu não compreendo.
- Meu jovem padawan, perceba: quando temos plena consciência de nossa finitude - não importando se vai ou não haver qualquer tipo de continuidade (alma, reencarnação e outras crenças) - atingimos o máximo de esclarecimento que se nos é compreensível em nossa ignorância. E, então, ficamos bem. Aprendemos a apreciar cada beleza da vida, da natureza, das pessoas. Perdemos medos improdutivos, que nos impedem de viver como se deve.
- Hmmm... mas eu penso que se considerarmos a morte em nossas vidas, nos tornaremos excessivamente egoístas.
- O egoísmo independe da morte. Todas as crianças são egoístas e é a primeira forma de sobrevivência que aprendem. Com a maturidade dos anos e a educação, a maioria delas percebe que a generosidade é melhor apreciada na sociedade. O egoísmo nos faz desejar a eternidade e a generosidade nos impulsiona ao sacrifício. Mas ambos têm sua agenda...
- Mestre, me engano ou o senhor não vê a generosidade como o objetivo mais santo de uma vida?
- Egoísmo e generosidade são faces de uma mesma vaidade. O primeiro reflete a vaidade do que eu penso sobre mim mesmo, o segundo reflete a vaidade do que os outros pensam a meu respeito.
- O que fazer, então?
- Almejar a justiça. Compartilhar sem sacrificar o que por direito e trabalho é seu.
- E qual a melhor maneira de alcançar a justiça e de viver a vida?
- Meditando sobre a morte.

12 comentários:

Jens disse...

Puxa vida, Edulama, que reflexões inteligentes. Quando crescer quero ser igualzinho a você. O que comes no café da manhã?

Beijo nas breubas.

Lobo disse...

Reflexões interessantes.

Eu só trocaria o meditando sobre a morte, por um meditando sobre o nada no final. Meditar sobre a morte, é de certa forma embebedar a mente com especulações. Meditar sobre o nada, é... nada. Ver o nada. Sentir o nada. Se tornar o um com o nada. Ver que o nada, é tudo. E que tudo, é nada (Meu Deus! ahauaahauhau)

Vim aqui fazer uma visita ao homem de cara meio robótica que me seguia, e gostei muito daqui.

Te sigo e te indico.

Abraços, homem de nome difícil XD.

@JayWaider disse...

Olá,
Interessante o post. Essas parábolas sempre nos ensinam a ver a vida sob outras perspectivas.
Acho que inda podemos desejar boas vindas à blogosfera né, se bem que vc já tá mandando bem... é isso aí boa sorte!
Abraço nosso e tamu seguindo.

Paulo Roberto Figueiredo Braccini - Bratz disse...

faço minhas as palavras do Lobo ... o "NADA" penso ser a chave mestra de nossa existência ... compreendendo o "NADA" superaremos a vaidade em suas manifestações de egoísmo e generosidade ... perderemos o medo da morte e o medo de viver ...

não sei! mas acho assim!

O NADA é o verdadeiro SER ... o verdadeiro SER é o NADA ... aí está a nossa dimensão DIVINA ...

bjux

;-)

O+* disse...

*Mulher Asterísco simplifica*
Preferível e aceitável a condição de mortal em comparação ao seu oposto. Nada pior do que a imortalidade.

CP disse...

Ora, não é a morte a continuação desta nossa vida?
Se sim, como posso entender o conceito de "finitude", por mais breve que seja a passagem?
Não continuo a ser quem sou, como em uma linha reta?

É claro que, pra um espírita, estas questões da vida são bem mais confortáveis...

O Gato de Cheshire disse...

Nossa que bom esse texto.. De onde tirou.. Fantástico!!!

Entrando na polêmica dos meninos (o Lobo e o Paulo), o nada e amorte podem ser coisas muito similares, quase que iguais, dependendo de quem olha!!!

O Gato de Cheshire disse...

PS. o Lerdo aki acabou de ler o título do psot e teve a resposta da sua pergunta.. HAUhauhAUHu

Diego Rebouças disse...

Reflexões são sempre tão bem vindas.

Mas eu acho que "alcançar a justiça" e "viver a vida" não são coisas similares, sinônimas, dependentes: vive-se a vida, mas nem sempre alcança-se a justiça; alcançam-se algumas justiças, mas nem sempre elas são garantias de estarmos vivendo a vida...

Portanto, eu proporia uma pergunta mais simples, "E qual a melhor maneira de viver?"

Se você gostar da pergunta, podemos debater algumas respostas.

FOXX disse...

nossa
texto incrivel

João Roque disse...

Dá para pensar...e muito...

Serginho Tavares disse...

FABULOSO!

Quem são vocês

Quem somos nós

Quem somos nós