quinta-feira, 15 de abril de 2010

Terá solução isso?

Tem algo que você deveria saber: há uma boa probabilidade dos gadgets que você usa terem sido fabricados por trabalhados miseráveis, em péssimas condições de trabalho e de vida. Este fato já assombrou a Apple e muitas outras empresas em diferentes ocasiões, e agora é a vez da Microsoft.

Um relatório do National Labor Comittee detalha as condições de uma fábrica, operada por uma empresa chamada KYE, que produz hardware (mouses, webcams e alguns componentes do Xbox) para a Microsoft, assim como componentes para a Hewlett Packard, Best Buy, Samsung, Foxconn, Acer, Logitech e Asus, ainda que em menor escala. Eles também têm a sua própria marca, a Genius, que você provavelmente já viu na Kalunga ou lojas de informática similares. As condições a que se submetem estes empregados -- com provas fotográficas, não apenas verbais -- são horríveis":

- Trabalhadores são admitidos como "estudantes de trabalho" a partir dos 16 anos.

- Eles trabalham por períodos extremamente longos, tipicamente "das 7h45 às 22h55", pelo equivalente a R$ 1,13 por hora, menos dedução de alimentação, o que dá na prática o equivalente a R$0,91 por hora.

- Como é comum em grandes fábricas da China, os trabalhadores moram onde trabalham:

Quatorze trabalhadores dividem cada dormitório primitivo, dormindo em beliches estreitas. Para tomar "banho", eles coletam água quente em um pequeno balde de plástico para se limparem com uma esponja. A comida da fábrica é descrita como horrível.

- Os trabalhadores são impedidos de sair do campus, exceto em horários predeterminados.

- Há relatos de assédio sexual de trabalhadoras por guardas de segurança.

Damos crédito à Microsoft por pelo menos ter respondido às denúncias imediatamente. Falando ao Seattle PI:

A Microsoft se compromete com o tratamento justo e a segurança dos trabalhadores empregados pelos nossos fornecedores. A Microsoft investiu pesado em um programa de responsabilidade de fornecedores e um robusto programa de auditoria de terceiros para assegurar a concordância com o Código de Conduta do Fornecedor Microsoft.

Estamos cientes das acusações contra a NLC e iniciamos uma investigação. Nós levamos estas alegação muito a sério e tomaremos medidas remediais de acordo com qualquer descoberta de falha de conduta por parte do fornecedor.

Ações decorrentes do não seguimento dos nossos requerimentos podem incluir planos de ação corretiva, treinamento remedial, requerimento de certificações, cessação de futuros prêmios executivos até que ações corretivas sejam instituídas e término da relação executiva.


O mais preocupante não é que exista uma fábrica que trata seus empregados desta forma, mas sim que existe uma grande probabilidade de que muitas fábricas tratem seus empregados assim, fábricas que não terminarão como assunto de extensivos relatórios de organizações dos direitos humanos.

Histórias de terror como esta e a da Foxconn não são novidade. Fica claro que, de alguma forma, as fábricas chinesas conseguem fazer esse tipo de coisa e se safar. Fica claro também que a maior parte das empresas de eletrônicos acha fácil ignorar ou manter-se estrategicamente ignorante a respeito dessas coisas coisas que acontecem nas fábricas que eles usam para fabricar o seu hardware. E se nós sabemos disso -- e nós sabemos -- nós somos tão cúmplices quanto eles.

10 comentários:

Arsênico disse...

Era o mínimo que ela poderia fazer néah?

Mas nem precisamos ir muito longe! Em SP mesmo... bolivianos vivem em estados deploráveis... trabalhando clandestinamente em fábricas texteis!

É o cúmulo em pleno século XXI!

***

:I

Alexandre Willer Melo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Alexandre Willer Melo disse...

mas não precisa ir até a China meu caro..
o Brás tem exemplos fartos!! Só que agora os explorados são os bolivianos, peruanos e outros 'anos' que vêem no regime escravo imposto pelos seus senhores asiáticos (não adianta dourar, os coreanos e chineses dominam e pões os índios pra trabalhar, essa é a verdade crua e não expresso aqui nenhum preconceito com os asiáticos em geral, constato fatos apenas) vida melhor do que a tinham em sua terra natal.
claro que eu e você e os demais fazemos vista grossa quando compramos nossos tênis, camisetas e afins tanto faz se comprados nas ruas de comércio popular ou de grife que também exploram escravos mas trasncontinentais.
tente uma única vez comprar um produto que não seja MADE IN CHINA, boa via crucis...
As grandes corporações precisam reduzir custos e não estão nem aí se para isso é preciso atar a infância de um chinês ou latino ao pé da mesa com bola de ferro e esse mea culpa da Microsoft deve ficar só pra inglê ver mesmo pois eles rompem com essa empresa mas assinam com outra que irá jurar que não explora gente até que se descubra o oposto...
fato.............

Visão disse...

É utópico acreditar que coisas como estas deixem de acontecer. Mas como diz uma amiga minha "não percamos a fé".

Guy Franco disse...

Não vou nem te contar os tratamentos que um escritor que trabalha o dia inteiro é submetido. Ah, e o quanto são valorizados...

AD disse...

Não precisa ir à China. Aqui no Brasil a escravatura ainda não acabou. A abolição é apenas efeito figurativo, nada mais.

AD disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lobo disse...

Capitalismo é isso.

Enquanto se buscar o lucro, haverá alguém tentando explorar outrem para alcançá-lo.

Beijos Edu!

Caju disse...

Era exatamente o que eu ia dizer e o Lobo adiantou. E, claro, é esse o preço do progresso para a China. O que temos a ver? Tudo! O que vamos fazer? Continuar consumindo.

Robson Schneider disse...

Minha claustrofobia falou mais alto nesse ponto do post "dormindo em beliches estreitas..."
Cê sabe o pior disso tudo...vai continuar assim pelos séculos dos séculos... amém (?)
Abraço Edu

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